quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RELEITURA DE PORTINARI

O menino que completa cem anos
Portinari     

O vigário da cidade de Brodósqui, em São Paulo, estava com problemas. Queria uma porteira, mas não conseguia explicar à pessoa que a faria como ela deveria ser. Até que um menino chegou e desenhou a porteira, do jeito que o padre queria!
O religioso ficou olhando para o garoto. Seu nome era Candido Portinari, mas todos o chamavam de Candinho. Filho de italianos, ele nasceu em 1903 numa fazenda de café perto de Brodósqui. Diz a certidão que o seu nascimento ocorreu no dia 30 de dezembro. Garantem os parentes que foi no dia 29. Seja como for, desde os dois anos, Candinho vivia na cidade com sua família.
Quando ajudou o vigário, Portinari tinha nove anos. Mas sua pouca idade não impediu que o padre o convidasse para algo importante: participar da restauração da igreja, que seria feita por artistas, com quem Candinho poderia aprender. Convite aceito, lá foi o menino, que pintou as estrelas do forro da paróquia.
[...]
O garoto, que era pensativo, sempre mostrou que tinha jeito para pintura. Ele vivia desenhando. Mas não havia futuro para o seu talento numa cidade como Brodósqui. Candinho precisava estudar no Rio de Janeiro!
A chance surgiu quando o garoto tinha 15 anos: uma família de Brodósqui, dona de pensão no Rio de Janeiro, decidiu vir para cidade natal por causa da gripe espanhola, doença que se alastrava na época. Então, o pai de Portinari perguntou se o filho não poderia trabalhar na pensão da família. A idéia foi aceita e... Candinho passou noites sem dormir, com pena de deixar seus pais e irmãos.
[...]
Próxima estação: Rio de Janeiro
[...]A vida do menino de Brodósqui na nova cidade era dura. Além de estudar, Portinari trabalhava para sobreviver. Ele entregava marmitas para a pensão e, por vezes, mudou seu caminho só para não encontrar colegas das aulas. Portinari era bem diferente deles: menino do interior, tinha pouco estudo e era pobre. Então, nem sempre era aceito.
Na época, o que marcava o início da carreira de um pintor era um prêmio: uma viagem ao exterior! Em 1924, Portinari decidiu concorrer a ele, apresentando quatro retratos e o quadro Baile na roça, que tinha um tema bem brasileiro e os personagens, inspirados em gente de Brodósqui! Mas, por ser diferente do tradicional, a obra foi rejeitada pela organização do concurso, que só aceitou os retratos na competição.
[...]A vitória viria apenas quatro anos depois. Então, o artista ganharia o mundo e perceberia que a sua vocação era retratar o Brasil!
Na Europa, Portinari viajou pela Inglaterra, Espanha, Itália e morou em Paris. Nessa época, em vez de pintar e desenhar muito, preferiu observar e aprender. Diariamente, ia a museus para ver as obras dos grandes mestres da pintura. Também freqüentava cafés, onde descobriu o que os artistas estavam fazendo de novo na arte. Seus amigos no Brasil brincavam dizendo que ele estava só se divertindo na Europa.
Mas Portinari estava em crise. Ele sentia que, ao retornar ao Brasil, precisava fazer o que havia começado em Baile na roça: pintar a sua gente. Tanto que escreveu, da França, uma carta em que dizia: "Daqui fiquei vendo melhor a minha terra. Fiquei vendo Brodósqui como ela é. Quando voltar, vou ver se consigo fazer a minha terra."
[...]Estão nos trabalhos de Portinari os mestiços, negros, índios e outros tipos brasileiros; as festas populares, como o bumba-meu-boi e o carnaval; a infância em Brodósqui, com os meninos brincando de pular carniça sob o céu estrelado ou soltando papagaio como se fosse agosto; o drama dos retirantes que o pintor acompanhou na infância em sua terra natal; a vida dos trabalhadores rurais, com sua rotina e dificuldades.
Tudo isso pintado de uma maneira diferente, pois Portinari não tentou retratar o Brasil como se suas telas fossem fotografias. Ele buscou distorcer e exagerar traços das figuras, por exemplo, para expressar emoção e despertar sentimentos em que via a obra. E, embora tenha dedicado sua carreira a pintar a gente e a cultura do seu país, Portinari conseguiu passar uma mensagem universal. Tanto é que foi premiado aqui e no exterior.
Esse artista, que tinha muito orgulho do seu trabalho e pintava de terno branco sem se sujar, morreu no dia 6 de fevereiro de 1962. Ele, que se comparava a um operário porque adorava suas ferramentas de trabalho, faleceu intoxicado pelo chumbo que havia nas tintas que usava.[...]

Mara Figueira, com a colaboração de João Candido Portinari.
Ciência Hoje das crianças.
Veja a matéria completa aqui:

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Fonte :
http://linguagemeafins.blogspot.com

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